Em cumprimento à deliberação de seus associados na Assembleia Geral Extraordinária 6/2026, e após reunião presencial com o Diretor de Administração do Banco Central, Rodrigo Alves Teixeira, realizada em 1º de outubro, a ANBCB torna pública Moção de Desconfiança à condução, pelo Diretor, da agenda institucional relacionada às condições de funcionamento da autoridade monetária. A manifestação não decorre de divergência pessoal, mas de fatos públicos e sinais convergentes que, mesmo após questionamento direto da Associação, permanecem sem resposta satisfatória.
A motivação central é a apreensão gerada por reportagens recentes. Segundo O Globo (12/08/2026), enquanto o presidente Gabriel Galípolo enfrenta resistência da equipe econômica ao defender uma solução ampla para a autonomia do BC, o Diretor de Administração estaria articulando com o governo uma alternativa voltada, ao menos, a equacionar a falta de recursos orçamentários da instituição. Em linha semelhante, o JOTA (10/09/2026) revelou que, diante da resistência do governo à PEC 65/2023, discutem-se alternativas infraconstitucionais que tratariam separadamente os problemas orçamentários do Banco Central, preservando o desenho institucional e remetendo as demais questões funcionais a negociações futuras e incertas.
Diante dessas informações, a ANBCB levou a preocupação diretamente ao Diretor: há indícios públicos de que se articula uma solução capaz de ampliar recursos para custeio, tecnologia e investimentos sem contemplar, na mesma arquitetura, os servidores que sustentam a instituição. Questionado, o Diretor afirmou desconhecer articulação destinada a uma solução exclusivamente orçamentária, declarou apoio à PEC 65/2023 como solução estrutural e manifestou-se favorável a buscar, para o Banco Central, alternativa semelhante à adotada recentemente para a Polícia Federal — capaz de assegurar fontes de recursos também para as condições funcionais da carreira. Ponderou, contudo, que o avanço desses temas dependeria da definição do cenário político-eleitoral, sem indicar cronograma, proposta formal ou instrumento legal.
O que alimenta a desconfiança da categoria é justamente essa assimetria: enquanto há tratativas ativas para destravar as restrições orçamentárias da instituição, a resposta às demandas dos servidores é postergada para um momento futuro e indeterminado. Não haverá pacificação interna se houver solução para máquinas, sistemas e infraestrutura, mas nenhuma solução para as pessoas que mantêm esses sistemas funcionando, supervisionam o sistema financeiro, sustentam o Pix e assumem responsabilidades crescentes em nome do Estado brasileiro.
A experiência recente em outros órgãos demonstra que é possível contemplar, numa mesma solução institucional, o funcionamento do órgão e as condições de seus servidores — não há razão para que, no Banco Central, essas duas dimensões sejam artificialmente separadas. A Diretoria de Administração não pode limitar-se a intermediar as restrições impostas pelo governo ao Banco: sua responsabilidade institucional exige defender, perante o Executivo, o conjunto das necessidades da instituição, inclusive de quem a faz funcionar.
Por essas razões, e em cumprimento à deliberação soberana de sua Assembleia, a ANBCB reitera sua posição com serenidade e firmeza e torna pública a Moção de Desconfiança ao Diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, até que atos concretos demonstrem que sua atuação não servirá à construção de uma solução parcial — que fortaleça a estrutura do Banco Central enquanto deixa seus servidores para trás.
