A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil (ANBCB), entidade de maior representatividade entre os servidores ativos da autarquia, manifesta integral apoio às declarações de seu presidente, Gabriel Galípolo, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal nesta terça-feira, 19 de maio.
Os posicionamentos apresentados refletem preocupações legítimas e amplamente compartilhadas pela categoria, especialmente quanto à preservação da natureza técnica do órgão e à necessidade urgente de fortalecimento de sua estrutura física e de pessoal.
Ao afirmar que a instituição “não vai botar para jogo seu mandato, não vai negociar em nada seu mandato”, o presidente reafirmou um princípio basilar para a credibilidade da autoridade monetária: as decisões sobre estabilidade da moeda, supervisão do sistema financeiro e segurança dos meios de pagamento devem ser pautadas estritamente por critérios de Estado, imunes a pressões políticas ou econômicas conjunturais.
As declarações de Galípolo também evidenciam um diagnóstico há muito alertado pelo corpo funcional: o crescimento e a sofisticação do sistema financeiro nacional não foram acompanhados pelo fortalecimento institucional. Nos últimos anos, a autarquia assumiu responsabilidades complexas, como a consolidação do Pix, o avanço do Open Finance e a ampliação da supervisão prudencial, operando simultaneamente sob severa redução de pessoal e restrições orçamentárias. Como bem pontuou o presidente, a instituição trabalha hoje no cenário permanente de um “cobertor curto”.
A ANBCB considera particularmente grave o ambiente de pressão institucional relatado na audiência. Episódios recentes de ataques e exposição de servidores que atuaram firmemente em processos de supervisão e resolução, a exemplo do caso envolvendo o Banco Master, reforçam a urgência de se blindar a atuação do corpo técnico contra retaliações externas.
Diante disso, o alerta feito na CAE deve ser tratado pelo Congresso Nacional com o devido senso de urgência. Para que o país continue contando com uma autoridade monetária forte e independente, é indispensável garantir condições reais de funcionamento. A aprovação de projetos estruturantes, com destaque para a PEC 65/2023, que trata da autonomia financeira, tornou-se imperativa para assegurar que a instituição siga exercendo seu papel estratégico em defesa da estabilidade econômica e do interesse público.
